domingo, 14 de outubro de 2012

Tecido Sanguíneo - Policitemia vera


Policitemia vera

A policitemia vera é uma perturbação das células sanguíneas precursoras que ocasiona um excesso de glóbulos vermelhos.

 Esta perturbação é rara; apenas se manifesta em cinco pessoas por cada milhão. A idade média em que se diagnostica esta perturbação é de 60 anos, mas pode manifestar-se antes.

Sintomas
O excesso de glóbulos vermelhos aumenta o volume do sangue e torna-o mais espesso, de tal maneira que circula com dificuldade através dos pequenos vasos sanguíneos (hiperviscosidade). Contudo, a quantidade de glóbulos vermelhos pode começar a aumentar muito antes de se manifestarem os sintomas.
Muitas vezes os primeiros sintomas são fraqueza, fadiga, dor de cabeça, enjoo e dificuldades respiratórias. A visão pode ficar distorcida e o indivíduo pode apresentar manchas cegas ou então ver cintilações de luz. As gengivas e as feridas insignificantes sangram com frequência, e a pele, sobretudo a da cara, fica avermelhada. Pode aparecer ardor em todo o corpo, particularmente depois de um banho quente. Pode sentir-se uma sensação de queimadura nas mãos e pés e, com menos frequência, dor nos ossos. À medida que a perturbação progride, o fígado e o baço podem aumentar de tamanho, causando uma dor intermitente no abdómen.
O excesso de glóbulos vermelhos pode associar-se a outras complicações, como úlceras de estômago, cálculos renais e trombos em veias e artérias, o que pode causar ataques e paragem cardíaca, assim como obstrução da circulação sanguínea nos braços e nas pernas. Muito raramente a policitemia vera transforma-se em leucemia; certos tratamentos aumentam a possibilidade desta progressão.

Diagnóstico
A policitemia vera pode diagnosticar-se através de uma análise de sangue de rotina  realizada por outras razões, inclusive antes de a pessoa apresentar qualquer sintoma. Os valores de hemoglobina (proteína que transporta oxigénio nos glóbulos vermelhos) e os valores de hematócrito (percentagem de glóbulos vermelhos no volume total do sangue) são anormalmente altos. Um valor de hematócrito superior a 54 % no homem ou 49 % na mulher pode indicar policitemia, mas não se pode chegar ao diagnóstico exclusivamente por um valor de hematócrito anormal. Para avaliar a quantidade total de glóbulos vermelhos no organismo, é útil realizar um exame com glóbulos vermelhos marcados com radioactividade, o qual pode facilitar o diagnóstico. Em raras ocasiões é preciso efectuar uma biopsia da medula óssea (extracção de uma amostra para a sua observação ao microscópio).
Um valor de hematócrito elevado também poderá indicar uma policitemia relativa, uma perturbação em que a quantidade de glóbulos vermelhos é normal, mas a proporção de líquido no sangue é baixa.
Chama-se policitemia secundária o excesso de glóbulos vermelhos causado por outras doenças. Por exemplo, a baixa concentração de oxigénio no sangue estimula a medula óssea a produzir maior quantidade de glóbulos vermelhos. Por conseguinte, as pessoas que sofrem de doenças pulmonares crónicas ou cardíacas, as que fumam e as que vivem a grande altitude podem ter um número elevado de glóbulos vermelhos. Para distinguir a policitemia vera de outras formas de policitemia secundária, mede-se a concentração de oxigénio numa amostra de sangue extraída de uma artéria. Se os valores de oxigénio se encontrarem anormalmente baixos, é possível que se trate de uma policitemia secundária.
Os valores de eritropoietina no sangue, uma hormona que estimula a produção de glóbulos vermelhos por parte da medula óssea, também podem ser quantificados. Os valores de eritropoietina são extremamente baixos na policitemia vera, mas normais ou elevados na policitemia secundária. Em ocasiões muito raras, os quistos no fígado ou nos rins e os tumores do fígado ou do cérebro produzem eritropoietina; as pessoas que sofrem destas doenças apresentam valores elevados desta hormona e podem contrair uma policitemia secundária.

Prognóstico e tratamento
Sem tratamento, mais de metade dos indivíduos com policitemia vera que têm sintomas morrem em menos de 2 anos. Com tratamento, vivem uma média de 15 a 20 anos.
O objectivo do tratamento é atrasar a produção de glóbulos vermelhos e diminuir a sua quantidade. Em geral, o sangue é extraído do organismo por meio de um procedimento denominado flebotomia. Extraem-se cerca de 500 microlitros de sangue por dia até que o hematócrito comece a diminuir. Quando o hematócrito atinge um valor normal, a extracção de sangue faz-se de poucos em poucos meses, consoante as necessidades.
Em algumas pessoas, acelera-se a produção anormal de células sanguíneas na medula óssea, aumentando o número de plaquetas (partículas parecidas com as células que participam no processo de coagulação) na corrente sanguínea ou aumentando o tamanho do fígado ou do baço de maneira notória. Como a flebotomia também aumenta o número de plaquetas e não reduz o tamanho dos órgãos, estas pessoas precisam de quimioterapia para suprimir a produção de células sanguíneas. Habitualmente prescreve-se o medicamento anticanceroso hidroxiureia.
Existem outros medicamentos que contribuem para controlar os sintomas. Por exemplo, os anti-histamínicos aliviam o ardor, e a aspirina, a sensação de queimadura nas mãos e nos pés e a dor nos ossos.









sábado, 13 de outubro de 2012

Tecido Sanguíneo - Anemia Falciforme


Anemia falciforme

O que é? 

A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, predominante em negros, mas que pode manifestar-se também nos brancos. Ela se caracteriza por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme) e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.
As hemácias falciformes contêm um tipo de hemoglobina, a hemoglobina S, que se cristaliza na falta de oxigênio, formando trombos que bloqueiam o fluxo de sangue, porque não têm a maleabilidade da hemácia normal.


Causas

A anemia falciforme é causada por mutação genética, responsável pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Para ser portador da doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Se for transmitido apenas por um dos pais, o filho terá o traço falciforme, que poderá passar para seus descendentes, mas não a doença manifesta.


Sintomas






São sintomas da anemia falciforme:
* Dor forte provocada pelo bloqueio do fluxo sangüíneo e pela falta de oxigenação nos tecidos;
* Dores articulares;
* Fadiga intensa;
* Palidez e icterícia;
* Atraso no crescimento;
* Feridas nas pernas;
* Tendência a infecções;
* Cálculos biliares;
* Problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares e renais;
* Priapismo.
Diagnóstico


A eletroforese de hemoglobina é o exame laboratorial específico para o diagnóstico da anemia falciforme, mas a presença da hemoglobina S pode ser detectada pelo teste do pezinho quando a criança nasce.


Tratamento


Não há tratamento específico para a anemia falciforme, uma doença para a qual ainda não se conhece a cura. Os portadores precisam de acompanhamento médico constante (quanto mais cedo começar, melhor o prognóstico) para manter a oxigenação adequada nos tecidos e a hidratação, prevenir infecções e controlar as crises de dor.


Recomendações


* Exija que o teste do pezinho seja feito em seu filho/a logo depois do nascimento. Se for constatado que é portador de anemia falciforme, encaminhe-o logo para um médico especialista;
* Procure imediatamente assistência se a pessoa com anemia falciforme tiver uma crise de dor. Embora às vezes ela possa ser tratada em casa com analgésicos, repouso e ingestão de muito líquido, só o médico poderá avaliar a necessidade de internação hospitalar;
* Entenda a febre do portador de anemia falciforme como um sinal de alerta e não faça uso de medicamentos sem orientação médica que acompanha o caso;
* Leve imediatamente para o hospital mais próximo, a criança com anemia falciforme que ficou pálida de repente;
* Lembre-se de que alterações oculares podem ocorrer nesses pacientes. Por isso, eles devem ser avaliados periodicamente por um oftalmologista.

sábado, 6 de outubro de 2012

Tecido Ósseo - Doença de Paget


          O que é?




É uma doença crónica de origem desconhecida que provoca uma alteração no processo de renovação do osso, proporcionando uma especial fragilidade aos ossos afectados, que têm tendência para sofrer fraturas e deformações.





















Causas



Embora a causa da doença de Paget ainda seja desconhecida, já se conseguiu determinar o seu mecanismo fisiopatológico e houve até quem avançasse com algumas teorias sobre a sua origem.
Na verdade, a doença costuma ser provocada por uma alteração no constante processo de renovação do tecido ósseo, realizado pelos ossos ao longo de toda a vida. Em condições normais, esta contínua substituição do tecido ósseo processa-se no interior dos ossos, mediante ciclos em que alguns sectores do osso são reabsorvidos, em primeiro lugar, por células especializadas, as quais se denominam de osteoclastos, e depois substituídos por um novo tecido ósseo fabricado por outras células especializadas, estas denominadas de osteoblastos. Contudo, na doença de Paget, estes ciclos de constante renovação do tecido ósseo, em que a destruição do tecido ósseo envelhecido é proporcional à formação de tecido ósseo novo, tende a alterar-se.
A primeira fase, com vários anos de duração, caracteriza-se por um aumento no número de osteoclastos e por um consequente predomínio da sua actividade, o que favorece a destruição do osso numa proporção maior do que o normal. Por outro lado, numa segunda fase, como o aumento se verifica ao nível do número e actividade dos osteoblastos, produz-se tecido ósseo novo, mas de características anómalas, pouco calcificado e muito vascularizado, cuja resistência é reduzida, o que propicia uma excessiva fragilidade dos ossos. Por fim, na terceira fase, ao fim de vários anos de evolução, observa-se uma diminuição tanto do número de osteoclastos como do número de osteoblastos, o que provoca alterações, por vezes notórias, na forma dos ossos afectados, com zonas muito dilatadas e deformações.
Acredita-se que este processo patológico possa ser provocado por dois factores: por um lado, pode haver uma predisposição genética transmitida de forma hereditária, devido ao facto de a doença ter uma maior incidência entre os membros de algumas famílias; por outro lado, suspeita-se que o problema possa residir numa infecção viral que, nos indivíduos que apresentem a citada predisposição genética, altere o funcionamento das células ósseas, provocando a sua hiperactividade. De qualquer forma, ainda não foi possível determinar a alteração genética responsável, nem qualquer vírus causador.


Manifestações

Na maioria dos casos, a doença de Paget permanece assintomática e, por vezes, nem chega a ser diagnosticada, a menos que seja casualmente detectada através da realização de radiografias por outros motivos. Nos casos raros em que existem manifestações, estas são provocadas pela excessiva fragilidade dos ossos afectados, que podem sofrer fracturas e deformações perante traumatismos pouco intensos ou espontaneamente, com as suas evidentes consequências.
Embora a doença de Paget possa afectar praticamente todos os ossos, os que costumam ser mais afectados são, por ordem de frequência, os da bacia, o fémur, os do crânio, a tíbia, a coluna vertebral, a clavícula e o úmero.
Entre as manifestações mais comuns, a principal é a dor nos ossos, por vezes intensa, que costuma aumentar de intensidade durante a noite e não costuma parar com a utilização de analgésicos normais. A localização da dor varia consoante os ossos afectados. Todavia, a longo prazo, a gradual deformação dos ossos vai originando várias repercussões ao nível das articulações, o que proporciona o desenvolvimento de alterações que também originam dores, sobretudo nas ancas, na zona lombar da coluna vertebral e nos joelhos. À medida que a deformação de determinados ossos se vai evidenciando, vão surgindo várias consequências. Exemplo disto é um possível esmagamento das vértebras, o que dá origem ao desenvolvimento de desvios na coluna, como uma curvatura exagerada da zona dorsal, denominada cifose, levando à formação de uma corcunda. É igualmente possível observar-se a deformação dos ossos que mais suportam o peso corporal, como os membros inferiores, em especial a tíbia, que tem tendência para se curvar (tíbia "em sabre"). Por vezes, os ossos do crânio são igualmente afectados, ficando mais espessos, o que favorece o aumento do perímetro craniano e a manifestação de cefaleias, e também os ossos da face, o que provoca uma alteração no aspecto do rosto.
Para além das eventuais fracturas, nos casos mais graves e em fases mais avançadas, são relativamente frequentes outras complicações significativas, como é o caso da dilatação de um osso, que pode provocar a compressão de um nervo adjacente, independentemente de se tratar de um nervo craniano ou auditivo, o que pode originar tonturas ou até mesmo surdez. Caso seja atingido um nervo periférico, pode haver compromisso da sensibilidade e da motricidade do território por ele inervado.
Uma outra possível consequência grave é o desenvolvimento de uma insuficiência cardíaca, uma complicação provocada por uma excessiva vascularização das zonas de formação óssea anómalas, que ao reterem grande parte da circulação sanguínea provocam uma situação de hipovolemia.
Por fim, é preciso destacar que aproximadamente 2% dos pacientes com doença de Paget, que apresentam sinais e sintomas, podem desenvolver, ao fim de alguns anos, um tumor ósseo maligno do tipo sarcoma.



Tratamento

Caso a doença não provoque sinais e sintomas - por exemplo, quando é diagnosticada casualmente através de uma radiografia solicitada por outro motivo -, não se costuma instituir qualquer tipo de tratamento. No entanto, caso a doença provoque dores, devem ser administrados analgésicos, com o objectivo de diminuir a sua intensidade, por vezes complementando com a administração de anti-inflamatórios, cuja finalidade acaba por ser a mesma. Dado que estes medicamentos podem provocar vários efeitos secundários quando são utilizados durante períodos prolongados, é imperativo que o médico planifique o tratamento de forma individualizada, consoante as necessidades de cada paciente, e que este respeite rigorosamente as prescrições e se submeta regularmente às consultas. Por vezes, deve-se recorrer igualmente à utilização de medicamentos que inibam o funcionamento anómalo das células ósseas, de modo a parar a exagerada destruição do tecido ósseo. Actualmente, existem inúmeros medicamentos com essa função, como é o caso da calcitonina e dos bifosfonatos, que proporcionam uma evidente melhoria ao fim de poucas semanas. De qualquer forma, como os seus efeitos não são persistentes, o médico deve alterar ou combinar a utilização de vários medicamentos. Por último, em alguns casos, é preciso recorrer à cirurgia quando se pretende corrigir uma deformação óssea, libertar um nervo comprimido ou tratar uma artrose secundária, podendo haver a substituição de uma articulação muito danificada por uma prótese.


Atividade física


As s pessoas afectadas pela doença de Pager devem realizar exercícios físicos que não sobrecarreguem os ossos afectados pela doença: por exemplo, é mais recomendável caminhar e nadar do que fazer jogging ou jogar ténis.


Incidência, idade e sexo

 
Embora a frequência da doença de Paget varie segundo as zonas geográficas, calcula-se que no total afecte entre 3 a 4% da população adulta, apesar de poder permanecer assintomática, motivo pelo qual não costuma ser, na grande maioria dos casos, diagnosticada.

Embora a doença possa surgir em qualquer idade, aparece com maior frequência depois dos 40 anos e a sua idade média de manifestação situa-se à volta dos 65 anos.

A doença afecta os indivíduos de ambos os sexos, sendo mais frequente nos homens do que nas mulheres.

Tecido Cartilaginoso - Doença de Ollier


O que é?


A doença de Ollier ou encondromatose múltipla é um defeito não hereditário, caracterizado pela presença de massas circunscritas de cartilagem, dispostas de forma linear no interior dos ossos. O epônimo "Doença de Ollier" é utilizado para uma condição na qual a distribuição dos encondromas é predominantemente unilateral. Trata-se na verdade de uma discondroplasia, mais do que umaneoplasia verdadeira.
A associação de múltiplos encondromas com múltiplos hemangiomas da pele é conhecida por "Síndrome de Maffucci" . Há ainda uma maior associação com gliomas intracraniais.



Aspectos Clínicos 

Os ossos afetados costumam ser arqueados e encurtados, com alargamento das regiões metafisárias. Os ossos mais afetados são o fêmur e a tíbia. 

Figura 48 A
48. Radiografia mostrando o aspecto das múltiplas lesões
da enfermidade de Ollier. Note a deformidade do úmero (A)
e do fêmur, da tíbia e da fíbula (B), além das lesões
encondromatosas múltiplas
.

Figura 48 B





Os sinais de encondromatose manifestam-se desde cedo na infância. O acometimento dos ossos dos membros inferiores pode ocasionar um joelho varo de muitos graus. O acometimento leva a um encurvamento dos ossos longos, com ápice da curva na região metafisária. Quando as mãos são afetadas, o progressivo aumento de volume dos dedos pode ser a primeira queixa. Os dedos costumam se apresentar de forma grotesca e com uso funcional prejudicado.



Figura 49


 Radiografia da mão de um paciente portador
da enfermidade de Ollier. Note o comprometimento
de praticamente todas as falanges. Note também
o grande condroma invadindo os tecidos moles na
falange média do III quirodáctilo


Tratamento


O tratamento envolve processos como curetagem e enxertia das lesões que estejam causando deformidade importante, principalmente nos membros inferiores. As osteotomias da extremidade proximal da tíbia ou distal do fêmur são muitas vezes necessárias para corrigir as deformidades. Em geral evoluem para consolidação. Muitas vezes são utilizadas as técnicas de alongamento, juntamente com a correção do alinhamento, principalmente nos membros inferiores. Atualmente, com a utilização dos fixadores externos, abre-se uma nova perspectiva no tratamento dessas lesões múltiplas. Não indicamos a epifisiodese do membro contralateral na tentativa de equalização, por acharmos que essa técnica pode acentuar a baixa estatura que é comum nesses pacientes, além de ser técnica de resultados controvertidos.
A transformação sarcomatosa pode se desenvolver na vida adulta. Na Mayo Clinic, entre 1907 e 1985, houve 16 transformações em 55 pacientes, o que fala a favor de 30% de chance de malignização. O crescimento localizado e a dor são evidências prováveis de malignização. Em tais circunstâncias a biópsia com a finalidade de detectar precocemente a malignização é indicada. Há também relatos de múltiplas transformações em um mesmo paciente.
A síndrome de Maffucci costuma estar associada a maior taxa de transformação maligna, incluindo o aparecimento de gliomas intracranianos.

Tecido Cartilaginoso - Artrite




O que é?




A artrite é uma inflamação de uma ou mais articulações, que resulta em dor, inchaço, endurecimento e limitação de movimento. Existem mais de 100 tipos diferentes de artrite.

Nomes alternativos

Inflamação nas articulações






Causas, incidência e fatores de risco



A artrite consiste na quebra da cartilagem. A cartilagem geralmente protege a articulação, permitindo um movimento amortecido. A cartilagem também absorve o choque quando a pressão é colocada na articulação, como ao andar, por exemplo. Com a ausência da quantidade normal de cartilagem, os ossos se friccionam, causando dor, inchaço (inflamação) e rigidez.
É possível apresentar uma inflamação nas articulações por diversos motivos, inclusive:
  • Uma doença autoimune (o organismo ataca a si próprio porque o sistema imunológico não reconhece uma parte do corpo)
  • Osso quebrado
  • Desgaste comum das articulações
  • Infecção (normalmente decorrente de bactérias ou vírus)
Normalmente, a inflamação desaparece depois que a lesão é curada, a doença é tratada ou a infecção é combatida.
No caso de certas lesões e doenças, a inflamação não desaparece ou a destruição causa deformidade e dor de longa duração. Quando isso ocorre, você tem artrite crônica. A osteoartrite é o tipo mais comum e, conforme você envelhe, as chances de ocorrência aumentam. É possível senti-la em qualquer articulação, mas com mais frequência nos quadris, nos joelhos e nos dedos.
Os fatores de risco para a osteoartrite incluem:
  • Estar acima do peso
  • Lesão prévia na articulação afetada
  • Uso da articulação afetada em ações repetitivas que coloquem estresse sobre ela (jogadores de basquetebol, bailarinos e operários de construção estão todos sob o risco)
A artrite pode surgir em homens e em mulheres de todas as idades. Cerca de 37 milhões de pessoas — quase 1 em cada 7 pessoas — nos Estados Unidos sofrem de algum tipo de artrite.
Outros tipos ou desencadeadores de artrite incluem:
  • Doença de Still do adulto
  • Espondilite anquilosante
  • Infecções fungícas como blastomicose
  • Artrite gonocócica
  • Gota
  • Artrite reumatoide juvenil (em crianças)
  • Outras infecções bacterianas (artrite bacteriana não gonocócica)
  • Artrite psoriática
  • Artrite reativa (síndrome de Reiter)
  • Artrite reumatoide (em adultos)
  • Escleroderma
  • Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
  • Doença de Lyme terciária
  • Artrite tuberculosa
  • Artrite viral



Sintomas



Se você sofre de artrite, pode sentir:
  • Dor em articulações
  • Inchaço nas articulações
  • Redução na capacidade de mover as articulações
  • Vermelhidão da pele ao redor da articulação
  • Rigidez, especialmente pela manhã
  • Aquecimento ao redor a articulação










Exames e testes


Primeiro, seu médico fará seu histórico médico detalhado para ver se a artrite ou outro problema musculoesquelético é a provável causa dos sintomas.
Depois, um exame físico completo pode mostrar que há acúmulo de líquido na articulação. (Isso é chamado de efusão). A articulação pode estar sensível a pressões leves e pode estar quente e avermelhada (principalmente em artrite infecciosa e em artrite autoimune). Pode ser doloroso ou difícil fazer a rotação das articulações em algumas direções. Isso é chamado de amplitude de movimento reduzida.
Em algumas formas autoimunes de artrite, as articulações podem ficar deformadas, se a doença não foi tratada. Tais deformidades da articulação são as características de artrite reumatoide grave não tratada.
Os testes variam de acordo com a causa suspeita. Eles geralmente incluem exames de sangue e raios X da articulação. Para verificar a presença de infecção e outras causas de artrite (como gota causada por cristais de ácido úrico), o líquido da articulação é removido com uma agulha e examinado microscopicamente. Consulte os tipos específicos de artrite para obter mais informações.




Tratamento


O tratamento da artrite depende da causa, das articulações afetadas, da gravidade e de como a doença afeta as atividades diárias. A idade e a ocupação também são levadas em consideração na criação de um plano de tratamento.
Se possível, o tratamento terá o foco na eliminação da causa da artrite. Entretanto, a causa NÃO é necessariamente curável, como nos casos da artrite reumatoide e da osteoartrite. O tratamento, portanto, visa à redução da dor e do desconforto, além da prevenção de uma incapacidade futura.
É possível amenizar satisfatoriamente os sintomas da osteoartrite e de outros tipos de artrite de longa duração sem o uso de medicamentos. Na realidade, fazer mudanças no estilo de vida sem medicamentos é preferível para a osteoartrite e outras formas de inflamações articulares. Se necessário, os medicamentos devem ser ministrados juntamente com as mudanças de estilo de vida.
A prática de exercícios torna-se necessária para manter as articulações saudáveis, amenizar a rigidez, reduzir a dor e a fadiga e melhorar a resistência dos músculos e dos ossos. O programa de exercícios deve ser feito exclusivamente para o paciente.
Trabalhe junto com seu fisioterapeuta para planejar um programa individualizado, que deve incluir:
  • Atividade aeróbica de baixo impacto (também chamada de exercício de resistência)
  • Exercícios de amplitude de movimento para adquirir flexibilidade
  • Treino de resistência para tônus muscular
Um fisioterapeuta pode aplicar tratamentos de calor e frio, se necessários, e ajustar splints ou férulas para dar apoio e alinhar as articulações. Isso pode ser principalmente necessário para a artrite reumatoide. Seu fisioterapeuta ainda pode considerar hidroterapia, massagem com gelo ou estimulação elétrica transcutânea (TENS).
O repouso é tão essencial quanto o exercício. Dormir de 8 a 10 horas diárias e tirar sonecas durante o dia podem ajudar na recuperação de um flare up (agudização) mais rápido e ainda podem ajudar a evitar exacerbações.
É também recomendável:
  • Evitar permanecer na mesma posição por um longo tempo
  • Evitar posições ou movimentos que colocam pressão extra nas articulações afetadas
  • Modificar sua casa para facilitar as atividades. Por exemplo, tenha barras para se segurar no chuveiro, na banheira e perto do vaso sanitário
  • Reduza o estresse, que pode agravar os sintomas. Experimente meditação ou relaxamento através visualização mental guiada. E converse com seu fisioterapeuta sobre yoga e tai chi
Outras medidas incluem:
  • Aplicar creme de capsaicina (derivada da pimenta chilli) na pele sobre as articulações doloridas. Há possibilidade de sentir melhora depois de 3 a 7 dias de aplicações do creme
  • Siga uma dieta rica em vitaminas e minerais, principalmente antioxidantes como a vitamina E. Eles são encontrados em frutas e vegetais. Obtenha selênio da levedura de Brewer, germe de trigo, alho, grãos inteiros, sementes de girassol e castanha do Pará. Obtenha ácidos graxos de ômega 3 de peixes de água fria (por exemplo, salmão, cavala e arenque), sementes de linho, óleo de canola, grãos de soja, óleo de soja, sementes de abóbora e nozes
  • Tome glucosamina e condroitina — elas formam os blocos de cartilagem, a substância que cobre as articulações. Esses suplementos estão disponíveis em lojas de suplementos alimentares e supermercados. Enquanto algumas pesquisas mostram como os suplementos podem reduzir os sintomas de osteoartrite, outras não mostram nenhum benefício. Entretanto, já que esses produtos são considerados seguros, vale a pena experimentar, uma vez que muitos pacientes sentem os sintomas amenizados
  • Se estiver acima do seu peso, reduza-o. A perda de peso pode reduzir muito a dor nas articulações das pernas e dos pés
MEDICAMENTOS
O médico selecionará de uma variedade de medicamentos, conforme a necessidade. Geralmente, as primeiras drogas experimentadas não precisam de receita médica. São elas:
  • Paracetamol — recomendado pelo American College of Reumatology (Faculdade Norte-Americana de Reumatologia) e pela American Geriatrics Society (Sociedade Norte-Americana de Geriatria) como tratamento de primeira linha para a osteoartrite. Isso pode aliviar significativamente a dor causada pela doença sem muitos dos efeitos colaterais das drogas de prescrição. NÃO exceda a dosagem recomendada nem ingira a droga com grandes quantidades de álcool. Essas ações podem causar danos ao seu fígado
  • Aspirina, ibuprofeno ou naproxeno — esses anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são muitas vezes eficazes no combate à dor da artrite. Entretanto, elas possuem riscos potenciais, principalmente se usadas por longos períodos. Não consuma nenhuma quantidade antes de consultar seu médico. Os efeitos colaterais prováveis incluem ataque cardíaco, derrame, úlceras estomacais, sangramento do trato digestivo e danos nos rins. Em 2005, a FDA — Agência de controle de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos — solicitou aos fabricantes de AINEs para incluir um rótulo de alerta em seus produtos sobre o elevado risco de ataque cardíaco, derrame e sagramento gastrointestinal. Se você sofre de doença renal ou hepática, ou ainda tem histórico de sangramento gastrointestinal, não deve ingerir esses medicamentos até que seu médico os recomende
Possíveis medicamentos receitados:
  • Medicamentos biológicos-- esses são o mais recente avanço no tratamento da artrite reumatoide. Tais medicamentos, inclusive etanercepte, infliximab e adalimumab são ministrados por meio de injeções e podem melhorar drasticamente a qualidade de vida. Os medicamentos biológicos mais recentes incluem abatacept, rituximab, golimumabe, certolizumab e tocilizumabe
  • Corticosteroides (esteroides) -- esses são medicamentos que anulam o sistema imunológico e os sintomas de inflamação. Eles costumam ser injetados nas articulações osteoartritícas doloridas. Os esteroides são usados para tratar as formas autoimunes de artrite, mas devem ser evitados em artrites infecciosas. Os esteroides têm vários efeitos colaterais, incluindo indigestão e sangramento gastrointestinal, hipertensão arterial, afinamento dos ossos, catarata e infecções aumentadas. Os riscos ficam mais evidentes quando os esteroides são usados por longos períodos ou em alta dosagem. O acompanhamento médico é essencial
  • Inibidores da ciclooxigenase-2 (COX-2) — essas drogas bloqueiam uma enzima que estimula a inflamação chamada COX-2. Antigamente, acreditava-se que essa classe de drogas funcionava tão bem quanto as tradicionais AINEs, mas com menos problemas estomacais. Entretanto, diversos relatos de ataques cardíacos e derrames alertaram a FDA para uma reavaliação dos riscos e dos benefícios da COX-2. O celecoxib ainda é encontrado, mas com aviso no rótulo e uma recomendação para ser prescrita na dosagem mínima e para o menor tempo de duração possíveis. Converse com seu médico para saber se a COX-2 é certa para você
  • Drogas antirreumáticas modificadoras de doenças — essas são tradicionalmente usadas para tratar a artrite reumatoide e outras causas autoimunes da artrite. Tais drogas incluem sais de ouro, penicilamina, sulfasalazina e hidroxicloroquina. Mais recentemente, foi comprovado que o metotrexato retarda a progressão da artrite reumatoide e melhora a qualidade de vida. O metotrexato em si pode ser altamente tóxico e requer exames de sangue frequentes em pacientes que estão ingerindo essa medicação
  • Imunossupressores — essas drogas, como a azatioprina ou a ciclofosfamida, são usadas em casos graves de artrite reumatoide, quando outras medicações não foram eficazes
É muito importante tomar as medicações prescritas pelo seu médico. Se você tem dificuldades (por exemplo, efeitos colaterais intoleráveis), deve conversar com seu médico.
CIRURGIA E OUTRAS ABORDAGENS
Em alguns casos, a cirurgia para reconstrução da articulação (artroplastia) ou para substituição da articulação (como a substituição total da articulação do joelho) pode ajudar a manter um estilo de vida mais normal. A decisão de realizar a cirurgia para substituição da articulação do joelho é normalmente feita quando as alternativas, como mudança no estilo de vida e uso de medicamentos, não são mais eficazes.
As articulções normais contêm um lubrificante chamado líquido sinovial. Nas articulações afetadas pela doença, esse líquido não é produzido em quantidades adequadas. Em alguns casos, o médico pode injetar uma versão artificial do líquido da articulação na articulação afetada. O líquido sintético pode postergar a necessidade de cirurgia temporariamente e melhorar a qualidade de vida em pessoas que sofrem de artrite.


Evolução (prognóstico)


Alguns distúrbios associados à artrite podem ser completamente curados com tratamento. Porém, a maioria deles são condições crônicas (longa duração), e o objetivo do tratamento é controlar a dor e reduzir os danos na articulação. A artrite crônica costuma ser muito recorrente.

Complicações

  • Dor crônica
  • Restrições no estilo de vida ou incapacidade

Ligando para o médico

Ligue para o médico se:
  • Tiver dor persistente na articulação por mais de 3 dias
  • Tiver dor aguda e inexplicável na articulação
  • Sua articulação afetada estiver significantemente inchada
  • Você tiver dificuldades para movimentar a articulação
  • Sua pele ao redor da articulação estiver avermelhada ou quente
  • Você tiver febre ou tiver perdido peso involuntariamente









Prevenção


Se a artrite for diagnosticada e tratada cedo, será possível evitar danos nas articulações. Descubra se você tem histórico familiar de artrite e informe seu médico, mesmo na ausência de sintomas.
A osteoartrite pode ter mais chances de se desenvolver se você abusar das articulações (lesioná-las seguidamente ou usá-las excessivamente quando estão lesionadas). Tome cuidado para não sobrecarregar uma articulação lesionada. Da mesma maneira, evite movimentos repetitivos.
O excesso de peso também aumenta o risco de desenvolvimento da osteoartrite nos joelhos e, possivelmente, nos quadris. Consulte o artigo sobre o índice de massa corporal para saber se o seu peso é saudável.